"Por que o remédio tem de ser a tolerância em vez de a emancipação, a luta política, ou ainda a luta política armada?"
retirada de uma entrevista do Slavoj Zizek, que li no saboroso blog Heterotopias, do amigo, e companheiro de curso de graduação em Ciências Sociais da UFRN, dita publicada por Magis, Revista da Unisinos, no. 05, dez 2009-jan 2010.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
2010 por Zé do Galo, de Frei Beto
Retirado do Portal Adital,texto de Frei Beto sobre a conjuntura para as nossas eleições em 2010, com uma xícara de café-com-leite, só faltou o pão de queijo para um bom mineiro!
Boa leitura:
Zé do galo, analista político
Frei Betto *
Adital -
O Brasil está coalhado de analistas que fazem fantásticos prognósticos em anos de eleições. Cada um que se fie naquele de sua preferência. Eu, cá comigo, mineiro que sou, fico com meu compadre Zé do Galo, carroceiro do colo da Mantiqueira. Nunca entro em período eleitoral sem consultá-lo.
Semana passada dividimos um feijão tropeiro no rancho em que ele vive pros lados de Aiuruoca. "E aí, compadre, como vai ser este ano eleitoral?", indaguei.
Zé do Galo coçou a barbicha rala que escorrega por seu rosto magro, largou a colher (ele nunca usa garfo, diz que espeta a língua), e soltou voz amansada:
"Tá difícil imaginar, compadre. A coisa tá mais enrolada que linguiça de venda." "Então desenrola, Zé". "Como diria Jack, o Estripador, (Zé adora quadrinhos de terror) vamos por partes: dona Dilma vai ter quem de vice? Michel Temer, apoiado por Sarney; Henrique Meirelles, que pulou do PSDB para o PMDB de olho no futuro; Hélio Costa, que trocaria a disputa ao governo de Minas por chapa puro-sangue, mineira com mineiro?"
"E o Serra?", perguntei. "Ainda num sei se será candidato a presidente ou à reeleição em São Paulo? Se a presidente, Aécio aceita ser vice na chapa café com leite? Ou, para enfrentar dona Dilma, tentará convencer dona Marina a apear do cavalo da candidatura presidencial para repetir, Brasil afora, a proposta carioca de Gabeira, do PV, apoiado no Rio pelo PSDB, pra disputar a governança?"
"Tá tudo muito confundido", suspirou meu compadre. "Dona Marina vai ter empresário de vice pra angariar votos de quem guarda dinheiro em banco ou vai de liderança popular?"
"E Ciro Gomes, Zé?" "É o que me pergunto. Vai de vice da dona Dilma, deixando o PMDB como palito em boca de desdentado, aceita ser candidato ao governo paulista com apoio do PT, ou se apresenta mais uma vez como presidenciável pra se cacifar no próximo governo?"
"Zé, como vê a situação de São Paulo?" "Ali, que é berço do PT, a coisa tá mais feia que indigestão de torresmo. Quem do partido de Lula será candidato a governador? Todos os caciques se queimaram na fogueira de mensalão e mensalinhos: Zé Dirceu, Genoíno, Palocci. Sobrou o Suplicy, mas este a direção do PT não aprova, é mais independente que dente de siso em boca de banguela."
Zé do Galo passou os dedos no cabelo ralo e enrugou a testa: "Será que dona Marta disputa de novo com o doutor Alkmin, após ter perdido nas últimas eleições municipais? Mercadante abre mão de concorrer ao Senado pra tentar o governo do estado? Ou o PT virá com o desconhecido prefeito de Osasco?"
"E aqui em Minas, compadre, o que vai dar?" "Em Minas a coisa tá mais fedorenta que arroto de urubu. Lula tem três candidatos: Hélio Costa, Patrus Ananias e Fernando Pimentel. Pressinto que o Planalto gostaria, pra favorecer a aliança nacional, que houvesse só a chapa PMDB-PT ou vice-versa. Difícil. Só o PT tem dois candidatos: Patrus e Pimentel. Vai ser briga feia na prévia de escolha. Até porque os dois sabem que as duas vagas mineiras ao Senado estão praticamente eleitas: José Alencar e Aécio Neves (se não aceitar ser vice do Serra)."
"Lula será o grande cabo eleitoral no pleito presidencial. Mas vai ter que vestir saia justa em certos palanques: no Rio, sobe no de Sérgio Cabral ou no de Lindberg Farias, caso este se candidate a governador pelo PT? E se Lindberg aceitar dar apoio a Cabral em troca do Senado, como fica a Benedita da Silva, que insiste ser a candidata do PT à casa presidida por Sarney? E na Bahia, Lula sobe no palanque da reeleição de Jaques Wagner ou no de Geddel Vieira Lima, seu ministro?"
"O triste - observou Zé do Galo - é que as alianças partidárias já não são feitas em cima de programas, propostas, objetivos. Vale o olho no tempo de propaganda eleitoral gratuita na tevê. Quanto maior o partido, maior o tempo. Como o PMDB é um dinossauro, agarrado no costume de "hay gobierno, soy a favor", quase todos o namoram na esperança de ver ampliada a visibilidade na telinha."
O compadre considera que a eleição presidencial só não terá caráter plebiscitário - de quem aplaude ou vaia os oito anos de governo Lula - porque Marina Silva entrou no páreo e, assim, os presidenciáveis deverão discutir o futuro sustentável do desenvolvimento brasileiro.
"E digo mais, compadre" - falou - "me fio que, desta vez, não vai ter arranca-rabo nem dedo na cara nos debates: todos farão promessa de dar prosseguimento às políticas sociais de Lula, ninguém ameaçará os militares de abrir os podres da ditadura, todos se apresentarão como intransigentes defensores do meio ambiente desde criancinha, e ninguém ousará criticar a atual política econômica, mesmo cientes de que os juros haverão de subir este ano, ainda que isso faça abaixar a cotação eleitoral da candidata do governo."
Zé do Galo encerrou o papo: "Visto de hoje, compadre, a coisa tá mais sofrida que joelho de freira na Semana Santa. Mas logo logo desenrosca, pra agrado de uns e choro de outros. Importante é melhorar o Brasil dos pobres e não trazer os corruptos de volta."
Boa leitura:
Zé do galo, analista político
Frei Betto *
Adital -
O Brasil está coalhado de analistas que fazem fantásticos prognósticos em anos de eleições. Cada um que se fie naquele de sua preferência. Eu, cá comigo, mineiro que sou, fico com meu compadre Zé do Galo, carroceiro do colo da Mantiqueira. Nunca entro em período eleitoral sem consultá-lo.
Semana passada dividimos um feijão tropeiro no rancho em que ele vive pros lados de Aiuruoca. "E aí, compadre, como vai ser este ano eleitoral?", indaguei.
Zé do Galo coçou a barbicha rala que escorrega por seu rosto magro, largou a colher (ele nunca usa garfo, diz que espeta a língua), e soltou voz amansada:
"Tá difícil imaginar, compadre. A coisa tá mais enrolada que linguiça de venda." "Então desenrola, Zé". "Como diria Jack, o Estripador, (Zé adora quadrinhos de terror) vamos por partes: dona Dilma vai ter quem de vice? Michel Temer, apoiado por Sarney; Henrique Meirelles, que pulou do PSDB para o PMDB de olho no futuro; Hélio Costa, que trocaria a disputa ao governo de Minas por chapa puro-sangue, mineira com mineiro?"
"E o Serra?", perguntei. "Ainda num sei se será candidato a presidente ou à reeleição em São Paulo? Se a presidente, Aécio aceita ser vice na chapa café com leite? Ou, para enfrentar dona Dilma, tentará convencer dona Marina a apear do cavalo da candidatura presidencial para repetir, Brasil afora, a proposta carioca de Gabeira, do PV, apoiado no Rio pelo PSDB, pra disputar a governança?"
"Tá tudo muito confundido", suspirou meu compadre. "Dona Marina vai ter empresário de vice pra angariar votos de quem guarda dinheiro em banco ou vai de liderança popular?"
"E Ciro Gomes, Zé?" "É o que me pergunto. Vai de vice da dona Dilma, deixando o PMDB como palito em boca de desdentado, aceita ser candidato ao governo paulista com apoio do PT, ou se apresenta mais uma vez como presidenciável pra se cacifar no próximo governo?"
"Zé, como vê a situação de São Paulo?" "Ali, que é berço do PT, a coisa tá mais feia que indigestão de torresmo. Quem do partido de Lula será candidato a governador? Todos os caciques se queimaram na fogueira de mensalão e mensalinhos: Zé Dirceu, Genoíno, Palocci. Sobrou o Suplicy, mas este a direção do PT não aprova, é mais independente que dente de siso em boca de banguela."
Zé do Galo passou os dedos no cabelo ralo e enrugou a testa: "Será que dona Marta disputa de novo com o doutor Alkmin, após ter perdido nas últimas eleições municipais? Mercadante abre mão de concorrer ao Senado pra tentar o governo do estado? Ou o PT virá com o desconhecido prefeito de Osasco?"
"E aqui em Minas, compadre, o que vai dar?" "Em Minas a coisa tá mais fedorenta que arroto de urubu. Lula tem três candidatos: Hélio Costa, Patrus Ananias e Fernando Pimentel. Pressinto que o Planalto gostaria, pra favorecer a aliança nacional, que houvesse só a chapa PMDB-PT ou vice-versa. Difícil. Só o PT tem dois candidatos: Patrus e Pimentel. Vai ser briga feia na prévia de escolha. Até porque os dois sabem que as duas vagas mineiras ao Senado estão praticamente eleitas: José Alencar e Aécio Neves (se não aceitar ser vice do Serra)."
"Lula será o grande cabo eleitoral no pleito presidencial. Mas vai ter que vestir saia justa em certos palanques: no Rio, sobe no de Sérgio Cabral ou no de Lindberg Farias, caso este se candidate a governador pelo PT? E se Lindberg aceitar dar apoio a Cabral em troca do Senado, como fica a Benedita da Silva, que insiste ser a candidata do PT à casa presidida por Sarney? E na Bahia, Lula sobe no palanque da reeleição de Jaques Wagner ou no de Geddel Vieira Lima, seu ministro?"
"O triste - observou Zé do Galo - é que as alianças partidárias já não são feitas em cima de programas, propostas, objetivos. Vale o olho no tempo de propaganda eleitoral gratuita na tevê. Quanto maior o partido, maior o tempo. Como o PMDB é um dinossauro, agarrado no costume de "hay gobierno, soy a favor", quase todos o namoram na esperança de ver ampliada a visibilidade na telinha."
O compadre considera que a eleição presidencial só não terá caráter plebiscitário - de quem aplaude ou vaia os oito anos de governo Lula - porque Marina Silva entrou no páreo e, assim, os presidenciáveis deverão discutir o futuro sustentável do desenvolvimento brasileiro.
"E digo mais, compadre" - falou - "me fio que, desta vez, não vai ter arranca-rabo nem dedo na cara nos debates: todos farão promessa de dar prosseguimento às políticas sociais de Lula, ninguém ameaçará os militares de abrir os podres da ditadura, todos se apresentarão como intransigentes defensores do meio ambiente desde criancinha, e ninguém ousará criticar a atual política econômica, mesmo cientes de que os juros haverão de subir este ano, ainda que isso faça abaixar a cotação eleitoral da candidata do governo."
Zé do Galo encerrou o papo: "Visto de hoje, compadre, a coisa tá mais sofrida que joelho de freira na Semana Santa. Mas logo logo desenrosca, pra agrado de uns e choro de outros. Importante é melhorar o Brasil dos pobres e não trazer os corruptos de volta."
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Feliz 2010 da Deputada Federal Fátima Bezerra!
O ano de 2009 foi marcado por avanços, dificuldades e recuos. Tivemos êxito nos campos da economia, educação, cultura, saúde, direitos da mulher, entre outros. Infelizmente, no campo da ética o Congresso continua mudo, surdo e de costas para a sociedade: a reforma política não anda.
Em relação à crise financeira internacional, o balanço é positivo. O presidente Lula foi ousado e, competentemente, tomou as medidas adequadas ao enfrentamento da crise. Quebrou o mito dos liberais e neoliberais de que o mercado era um Deus e resolvia tudo. O estado passa a exercer o seu papel de planejador, regulador e indutor do desenvolvimento.
Com capacidade de diálogo e postura altiva, o país passou a ser considerado e respeitado pelas outras nações. A política externa do Brasil vem sendo bem sucedida e aprovada no plano internacional.
A descoberta de petróleo no Pré-sal trouxe possibilidades inéditas de desenvolvimento. O país segue a rota em busca da inclusão, da igualdade e da justiça social. As jazidas vão gerar desenvolvimento econômico e redução da pobreza e das disparidades sociais e regionais. A riqueza do Pré-sal vai garantir educação de qualidade, investimento científico e tecnológico, sustentabilidade ambiental e combate à pobreza.
No campo da educação ressaltamos as lutas pela implantação do Fundeb, cumprimento do Piso Salarial, desvinculação da DRU, expansão e fortalecimento do ensino superior. Destaco aqui a oportunidade de ter exercido um papel decisivo para que o nosso RN fosse um dos melhores contemplados no plano nacional de expansão da educação profissional e tecnológica. Em apenas oito anos saltamos de 2 para 12 escolas técnicas federais, que estão espalhando ciência, cidadania e esperança pelo interior do Estado. Falo isso com a alegria e a emoção igual a dos alunos e alunas que estão tendo acesso aos novos Cefets.
A aprovação final do Plano Nacional de Cultura do qual sou relatora, possibilitará a definição de diretrizes culturais para os próximos 10 anos. Acrescente-se também o vale-cultura, a PEC do financiamento do sistema nacional de cultura, mudanças na Lei Ruanet, entre outros, que colocarão a cultura em outro patamar. A cultura tratada não como negócio, mas como política pública, política de Estado.
No campo do trabalho o ano termina com boa notícia: a recuperação do crescimento econômico traduzida na queda da taxa de desemprego que recua pelo quarto mês seguido, segundo dados do Dieese. A expectativa de crescimento, segundo os analistas, ultrapassam a casa dos 5%.
E as perspectivas para 2010? O próximo ano será decisivo para o país. O debate terá caráter plebiscitário: o povo optará entre avançar com o projeto popular bem sucedido, liderado pelo presidente Lula, ou retroceder ao projeto neoliberal e excludente da oposição.
A sucessão do Presidente Lula assumirá a centralidade da estratégia política. Haverá também eleições para o senado e para os legislativos federais e estaduais. A eleição de Dilma Roussef é o caminho para continuar a escalada de avanços, na educação, na inclusão social e na cidadania dos milhares de brasileiros que ainda vivem em condições adversas.
As mudanças pavimentarão o caminho para a construção de um país com justiça e igualdade social. Esperamos que os brasileiros assumam a defesa da participação cidadã com controle social, desenvolvimento sustentável, geração de trabalho e renda, promoção de igualdade, políticas sociais, garantia de direitos e gestão ética, democrática e eficiente.
Feliz 2010 para todos! Mais crescimento, mais educação, mais cultura, mais saúde, mais emprego, mais cidadania, mais tudo o que for melhor para o país e para a população brasileira.
Fátima Bezerra
Deputada Federal PT-RN
Artigo publicado no jornal Tribuna do Norte, dia 1º de janeiro de 2010
Em relação à crise financeira internacional, o balanço é positivo. O presidente Lula foi ousado e, competentemente, tomou as medidas adequadas ao enfrentamento da crise. Quebrou o mito dos liberais e neoliberais de que o mercado era um Deus e resolvia tudo. O estado passa a exercer o seu papel de planejador, regulador e indutor do desenvolvimento.
Com capacidade de diálogo e postura altiva, o país passou a ser considerado e respeitado pelas outras nações. A política externa do Brasil vem sendo bem sucedida e aprovada no plano internacional.
A descoberta de petróleo no Pré-sal trouxe possibilidades inéditas de desenvolvimento. O país segue a rota em busca da inclusão, da igualdade e da justiça social. As jazidas vão gerar desenvolvimento econômico e redução da pobreza e das disparidades sociais e regionais. A riqueza do Pré-sal vai garantir educação de qualidade, investimento científico e tecnológico, sustentabilidade ambiental e combate à pobreza.
No campo da educação ressaltamos as lutas pela implantação do Fundeb, cumprimento do Piso Salarial, desvinculação da DRU, expansão e fortalecimento do ensino superior. Destaco aqui a oportunidade de ter exercido um papel decisivo para que o nosso RN fosse um dos melhores contemplados no plano nacional de expansão da educação profissional e tecnológica. Em apenas oito anos saltamos de 2 para 12 escolas técnicas federais, que estão espalhando ciência, cidadania e esperança pelo interior do Estado. Falo isso com a alegria e a emoção igual a dos alunos e alunas que estão tendo acesso aos novos Cefets.
A aprovação final do Plano Nacional de Cultura do qual sou relatora, possibilitará a definição de diretrizes culturais para os próximos 10 anos. Acrescente-se também o vale-cultura, a PEC do financiamento do sistema nacional de cultura, mudanças na Lei Ruanet, entre outros, que colocarão a cultura em outro patamar. A cultura tratada não como negócio, mas como política pública, política de Estado.
No campo do trabalho o ano termina com boa notícia: a recuperação do crescimento econômico traduzida na queda da taxa de desemprego que recua pelo quarto mês seguido, segundo dados do Dieese. A expectativa de crescimento, segundo os analistas, ultrapassam a casa dos 5%.
E as perspectivas para 2010? O próximo ano será decisivo para o país. O debate terá caráter plebiscitário: o povo optará entre avançar com o projeto popular bem sucedido, liderado pelo presidente Lula, ou retroceder ao projeto neoliberal e excludente da oposição.
A sucessão do Presidente Lula assumirá a centralidade da estratégia política. Haverá também eleições para o senado e para os legislativos federais e estaduais. A eleição de Dilma Roussef é o caminho para continuar a escalada de avanços, na educação, na inclusão social e na cidadania dos milhares de brasileiros que ainda vivem em condições adversas.
As mudanças pavimentarão o caminho para a construção de um país com justiça e igualdade social. Esperamos que os brasileiros assumam a defesa da participação cidadã com controle social, desenvolvimento sustentável, geração de trabalho e renda, promoção de igualdade, políticas sociais, garantia de direitos e gestão ética, democrática e eficiente.
Feliz 2010 para todos! Mais crescimento, mais educação, mais cultura, mais saúde, mais emprego, mais cidadania, mais tudo o que for melhor para o país e para a população brasileira.
Fátima Bezerra
Deputada Federal PT-RN
Artigo publicado no jornal Tribuna do Norte, dia 1º de janeiro de 2010
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Dias de Luta!
olá pessoas,
Estava meio afastado deste espaço, mas são muitas as lutas que temos que tocar, e muitas realizações fizemos acontecer, na medida do possível estes dias: encontros de formação e debate na universidade; II Feira Literária do Pium-Parnamirim-RN; Finalização das atividades 2010 do Cursinho do DCE-UFRN; Mutirão com o MDA para tirar documentação da comunidade do Amarelão em João Câmara-RN... ah, muitas irão ser concretizadas ainda este fim de semana, e outras ainda darão seus primeiros passos, como a reunião que estaremos fazendo esta semana com os amigos do MST, para que possamos realizar um grande e proveitoso Estágio Vivência com o MST, colaborando com a formação política e social de lideranças do ME.
Mas a maior felicidade que me traz aqui, são as atividades a serem realizadas este fim de semana. Apesar de não poder participar, pois estarei na organização da I Assembléia dos Povos Indígenas do RN, em conjunto com a FUNAI e o Grupo Paraupaba, organização na qual milito desde 2005, fico bastante feliz, e venho parabenizar a galera que faz a juventude do PT.
Pois no momento em que quase todos dizem não existir mais formação, que o debate na base está em processo de extinção, vocês demonstram que o partido vive, que a guinada deve ser dada, que as bases se movimentam, e que é possível acreditar na militância. E este movimento não começa do dia para a noite, por isto parabenizo todos que vem tocando e incentivando este movimento, que talvez tenha começado na gestão da secretaria de juventude representado por Eraldo, que até três anos atrás era o Secretário de Juventude do PT Estadual, e o hoje, na eleição posterior já é o Presidente Estadual do PT e VEreador em São Gonçalo, e desembocando nesta gestão, representada, pela sempre solícita, a extra-terrestre Berna Ignus! (Tudo culpa do pai dela)
Portanto, o resultado de termos três eventos de Formação e Mobilização da Juventude do PT, como o regional a ser realizado em São Tomé, com a participação de diversos representantes das cidades pertecentes ao pólo, outro em Currais Novos, com a mobilização do Vereador Jovem Odon Junior, e o terceiro que ocorrerá na praia de Santa Rita, em extremoz, mas que é fruto da mobilização da galera do PT lá de Macaíba, demonstra que o PT está vivo, quer e propõe o debate com a sociedade e com a juventude, que não deixará retroceder nenhum passo!
Assim, o desejo e a vontade da galera da juventude do PT em vê um partido quase já grisalho tirar os tênis do armário e entrar na corrida para defender os avanços já obtidos pela "nossa veralhada", sem deixar de sonhar que muito ainda se tem por conquistar, é de arrepiar qualquer alma, até as despenadas... Que venha o que nos falta!
Este fim de semana é melhor demonstração de oxigenação que poderíamos dar ao PT: Portanto, parabéns a todos e todas!
Juventude Petista, de Esquerda e Socialista!
Estava meio afastado deste espaço, mas são muitas as lutas que temos que tocar, e muitas realizações fizemos acontecer, na medida do possível estes dias: encontros de formação e debate na universidade; II Feira Literária do Pium-Parnamirim-RN; Finalização das atividades 2010 do Cursinho do DCE-UFRN; Mutirão com o MDA para tirar documentação da comunidade do Amarelão em João Câmara-RN... ah, muitas irão ser concretizadas ainda este fim de semana, e outras ainda darão seus primeiros passos, como a reunião que estaremos fazendo esta semana com os amigos do MST, para que possamos realizar um grande e proveitoso Estágio Vivência com o MST, colaborando com a formação política e social de lideranças do ME.
Mas a maior felicidade que me traz aqui, são as atividades a serem realizadas este fim de semana. Apesar de não poder participar, pois estarei na organização da I Assembléia dos Povos Indígenas do RN, em conjunto com a FUNAI e o Grupo Paraupaba, organização na qual milito desde 2005, fico bastante feliz, e venho parabenizar a galera que faz a juventude do PT.
Pois no momento em que quase todos dizem não existir mais formação, que o debate na base está em processo de extinção, vocês demonstram que o partido vive, que a guinada deve ser dada, que as bases se movimentam, e que é possível acreditar na militância. E este movimento não começa do dia para a noite, por isto parabenizo todos que vem tocando e incentivando este movimento, que talvez tenha começado na gestão da secretaria de juventude representado por Eraldo, que até três anos atrás era o Secretário de Juventude do PT Estadual, e o hoje, na eleição posterior já é o Presidente Estadual do PT e VEreador em São Gonçalo, e desembocando nesta gestão, representada, pela sempre solícita, a extra-terrestre Berna Ignus! (Tudo culpa do pai dela)
Portanto, o resultado de termos três eventos de Formação e Mobilização da Juventude do PT, como o regional a ser realizado em São Tomé, com a participação de diversos representantes das cidades pertecentes ao pólo, outro em Currais Novos, com a mobilização do Vereador Jovem Odon Junior, e o terceiro que ocorrerá na praia de Santa Rita, em extremoz, mas que é fruto da mobilização da galera do PT lá de Macaíba, demonstra que o PT está vivo, quer e propõe o debate com a sociedade e com a juventude, que não deixará retroceder nenhum passo!
Assim, o desejo e a vontade da galera da juventude do PT em vê um partido quase já grisalho tirar os tênis do armário e entrar na corrida para defender os avanços já obtidos pela "nossa veralhada", sem deixar de sonhar que muito ainda se tem por conquistar, é de arrepiar qualquer alma, até as despenadas... Que venha o que nos falta!
Este fim de semana é melhor demonstração de oxigenação que poderíamos dar ao PT: Portanto, parabéns a todos e todas!
Juventude Petista, de Esquerda e Socialista!
domingo, 8 de novembro de 2009
2010 para avançar!
Retirado do Blog Cartas sobre a Mesa. Trouxe mais um texto interessante para ser visto e refletido. Boa leitura!
"UMA QUESTÃO DE TEMPO OU MAIS UM DESASTRE ANUNCIADO?
Não resumo a política às estratégias eleitorais. Deixo isto para alguns jornalistas. A política só não é “mono”lítica, se pautarmos o raciocínio pela boa teoria analítica, porque é síntese de múltiplas determinações. No entanto, se eu quiser ser honesto com os ensinamentos do italiano Nicolau Maquiavel, grande criador da ciência política moderna, seria interessante reconhecer - poucas candidatas apresentaram, antes de uma eleição, uma condição tão favorável para a batalha pela conquista do voto dos cidadãos norte-riograndenses como a senadora Rosalba Ciarlini.
Isto porque não é fácil reunir, de uma só vez, uma avaliação favorável, baixíssima rejeição, e, ainda de quebra, encontrar um cenário propício para a mudança das famílias que comumente figuram entre aquelas que preenchem os principais cargos do estado.
No entanto, a possibilidade de atingir o poder, como diria Platão, pode embriagar o postulante, gerando um certo tipo de “pretensão”, fazendo ruir o castelo de cartas que foi, aparentemente, meticulosamente construído.
Mesmo que o austríaco Joseph Schumpeter acredite que o aumento das elites políticas represente um alargamento democrático no âmbito do estado contemporâneo e que os cidadãos natalenses clamem, claramente, acho que por puro cansaço dos grupos políticos atualmente dominantes, por mudança, não é fácil cantar vitória muito antes do tempo.
Olho para a candidata representante da linda cidade de Mossoró e lembro-me da eleição para governador em 2006, quando, Garibaldi Alves, com uma eleição praticamente ganha, conseguiu, mesmo com toda sua experiência política, perder para Vilma de Faria. Talvez esta relação mental seja estabelecida porque, naquele momento, “o” principal candidato ao mais cobiçado posto público do RN, deitou, como a gente costuma dizer, “sobre o resultado”. A vitória era, apenas, uma “questão de tempo” – bastava só apertar algumas mãos, sorrir em alguns momentos, viajar para alguns municípios e correr para o abraço. A conquista, conseqüentemente, estaria garantida.
Enquanto o candidato comemorava o seu retorno ao governo, o ensaio sobre a cegueira estava sendo escrito. Vilma de Faria, com a sua astúcia característica, tinha lançado as suas bases sociais silenciosas. E, na medida em que conseguiu adiar a derrota da cor vermelha no primeiro turno, possibilitou, naquele momento, impor o primeiro desastre eleitoral para um candidato que se orgulhava por nunca ter perdido um pleito.
Acho pouco provável que a candidata do partido dos democratas caia em tal armadilha. E se a perspectiva delineada para a eleição governamental traçada momentaneamente não se alterar, Rosalba Ciarlini, ao sentar na cadeira de governadora do RN, deverá também agradecer a estratégia estapafúrdia capitaneada pela deputada Fátima Bezerra, que, em 2008, conseguiu enfraquecer, enormemente, o grupo político do qual faz parte, ao impor, autoritariamente, sua candidatura à prefeita do município de Natal.
No entanto, como as pesquisas, se não forem bem analisadas, costumam muito mais cegar do que ensinar o verdadeiro caminho, faz-se necessário bastante cuidado para não trocar uma vitória, que se apresenta como uma questão tempo, por mais um desastre estratégico anunciado."
"UMA QUESTÃO DE TEMPO OU MAIS UM DESASTRE ANUNCIADO?
Não resumo a política às estratégias eleitorais. Deixo isto para alguns jornalistas. A política só não é “mono”lítica, se pautarmos o raciocínio pela boa teoria analítica, porque é síntese de múltiplas determinações. No entanto, se eu quiser ser honesto com os ensinamentos do italiano Nicolau Maquiavel, grande criador da ciência política moderna, seria interessante reconhecer - poucas candidatas apresentaram, antes de uma eleição, uma condição tão favorável para a batalha pela conquista do voto dos cidadãos norte-riograndenses como a senadora Rosalba Ciarlini.
Isto porque não é fácil reunir, de uma só vez, uma avaliação favorável, baixíssima rejeição, e, ainda de quebra, encontrar um cenário propício para a mudança das famílias que comumente figuram entre aquelas que preenchem os principais cargos do estado.
No entanto, a possibilidade de atingir o poder, como diria Platão, pode embriagar o postulante, gerando um certo tipo de “pretensão”, fazendo ruir o castelo de cartas que foi, aparentemente, meticulosamente construído.
Mesmo que o austríaco Joseph Schumpeter acredite que o aumento das elites políticas represente um alargamento democrático no âmbito do estado contemporâneo e que os cidadãos natalenses clamem, claramente, acho que por puro cansaço dos grupos políticos atualmente dominantes, por mudança, não é fácil cantar vitória muito antes do tempo.
Olho para a candidata representante da linda cidade de Mossoró e lembro-me da eleição para governador em 2006, quando, Garibaldi Alves, com uma eleição praticamente ganha, conseguiu, mesmo com toda sua experiência política, perder para Vilma de Faria. Talvez esta relação mental seja estabelecida porque, naquele momento, “o” principal candidato ao mais cobiçado posto público do RN, deitou, como a gente costuma dizer, “sobre o resultado”. A vitória era, apenas, uma “questão de tempo” – bastava só apertar algumas mãos, sorrir em alguns momentos, viajar para alguns municípios e correr para o abraço. A conquista, conseqüentemente, estaria garantida.
Enquanto o candidato comemorava o seu retorno ao governo, o ensaio sobre a cegueira estava sendo escrito. Vilma de Faria, com a sua astúcia característica, tinha lançado as suas bases sociais silenciosas. E, na medida em que conseguiu adiar a derrota da cor vermelha no primeiro turno, possibilitou, naquele momento, impor o primeiro desastre eleitoral para um candidato que se orgulhava por nunca ter perdido um pleito.
Acho pouco provável que a candidata do partido dos democratas caia em tal armadilha. E se a perspectiva delineada para a eleição governamental traçada momentaneamente não se alterar, Rosalba Ciarlini, ao sentar na cadeira de governadora do RN, deverá também agradecer a estratégia estapafúrdia capitaneada pela deputada Fátima Bezerra, que, em 2008, conseguiu enfraquecer, enormemente, o grupo político do qual faz parte, ao impor, autoritariamente, sua candidatura à prefeita do município de Natal.
No entanto, como as pesquisas, se não forem bem analisadas, costumam muito mais cegar do que ensinar o verdadeiro caminho, faz-se necessário bastante cuidado para não trocar uma vitória, que se apresenta como uma questão tempo, por mais um desastre estratégico anunciado."
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Fazendo o Debate...
Continuando o debate sobre os movimentos sociais no Brasil, por seu formato e sua estrutura aparentemente "desviada", catei mais um texto interessante a ser exposto aqui, este do Osvaldo Russo, coordenador do Núcleo Agrário do PT. Boa leitura!
"Não é o fim dos movimentos sociais
A partir da década de 1990, após a derrocada do socialismo real, o capitalismo, na sua versão neoliberal, viveu o seu apogeu unipolar, com total domínio econômico, político e militar do planeta. Alguns de seus ideólogos chegaram a decretar o fim da história.
A Constituição de 1988, fortemente influenciada pelo movimento popular, consolida avanços em relação aos direitos sociais e à participação popular na gestão das políticas públicas. A consolidação de estruturas e organizações da sociedade e mesmo a institucionalização de movimentos sociais não significa necessariamente o seu fim.
As novas experiências administrativas municipais passaram a conviver com uma nova demanda social organizada para a efetivação da participação social nas políticas públicas de educação, saúde, assistência social, cultura, criança e adolescente, direitos humanos, em especial de segmentos e grupos sociais historicamente discriminados como mulheres, negros, idosos, pessoas com deficiência, LGBT, etc.
A criação de conselhos setoriais e a sua regulamentação em leis orgânicas e decretos municipais formalizaram e estruturaram o funcionamento desses conselhos, sejam eles deliberativos ou consultivos, concretizando a participação popular, em geral de forma paritária em relação à representação governamental e não governamentais. Essa institucionalização implicou em novas formas de lutas, como os fóruns da sociedade civil paralelos aos conselhos instituídos. Os movimentos sociais surgem da necessidade de encaminhar formas de lutas mais autônomas e não-formais.
O enfrentamento da ditadura exigia formas de luta mais amplas e unitárias, quase sempre não institucionalizadas em razão da natureza repressora do regime de arbítrio. A jovem democracia brasileira tem ampliado os canais de participação popular. Com a eleição de Lula e a vitória do PT era natural a convergência de posições. Nem por isso, o movimento sindical, CUT à frente, e os movimentos sociais deixam de mobilizar e estabelecer a sua própria agenda e pauta de lutas discutida na sua base, sem cooptação.
É auspiciosa a informação do IBGE de que 75% dos municípios brasileiros estão adotando alguma modalidade de participação da sociedade civil na determinação de prioridades orçamentárias na área social. O orçamento participativo tem se constituído em forma de gestão e participação social de governos do PT, mas não só dele.
O acesso aos recursos do orçamento público, antes privilégio dos setores dominantes e das grandes empresas, passou a ser disputado pelos trabalhadores organizados e os setores populares, inclusive os movimentos sociais. Os convênios são formas legítimas institucionalizadas de garantir o acesso dos “subalternos” aos recursos públicos.
A segmentação política a partir de interesses específicos de cada categoria ou segmento social já estava antes presente nos movimentos, mesmo nas suas formas não institucionalizadas de participação. As formas novas de mobilização incorporam, além das especificidades, interesses gerais da sociedade como na atual crise, quando os movimentos unificaram a luta popular para combater as formas tradicionais de enfrentamento das crises do capital (arrocho salarial, desemprego, aumento dos juros, redução dos investimentos sociais, privatizações, diminuição do Estado, etc).
A questão que se coloca é combinar o local, o nacional e o planetário, o corporativo e o geral. O que afeta a cada um e o que aflige igualmente a todos. Esses são novos desafios. Na crise política de 2005 e no 2º turno das eleições de 2006 ou mesmo na crise econômica de 2008, sem perder o juízo crítico e a autonomia, mas diante da possibilidade de volta das forças neoliberais e reacionárias, os movimentos sociais não vacilaram em escolher e defender um lado, combatendo o retrocesso.
O Estado e a sociedade civil possuem lógicas de atuação distintas. A lógica da esfera pública não é somente a da esfera estatal. Se um governo realiza parte do ideário dos movimentos sociais é natural que estes se identifiquem com ele, ainda que com contradições. A política da oposição sistemática é produto da luta ideológica contra a ditadura – não é um ideário em si. Esse papel é cumprido pelos partidos políticos, a menos que aqueles se constituam em movimentos revolucionários na luta pelo poder.
Em relação às pautas das conferências setoriais, durante o governo Lula tem havido em parte identidade de objetivos gerais como, por exemplo, na V Conferência Nacional de Assistência Social, realizada em dezembro de 2005, onde o tema central foi o SUAS (Sistema Único de Assistência Social), cuja implantação se deu em julho do mesmo ano, após grande debate nacional que envolveu mais de 300 mil pessoas em todos os municípios do país. A transformação da assistência social em política pública continuada foi assumida pelo governo Lula, mas foi produto de luta histórica das organizações dos trabalhadores e dos usuários da assistência social no Brasil.
Os dados do Censo Agropecuário 2006 são significativos para a defesa da reforma agrária. A CPI não é só contra o MST, mas para tentar intimidar o governo Lula. O MST é o principal movimento social do Brasil, mas não está sozinho. O futuro dele e da questão agrária que é secular, assim como de outras organizações populares, está associado à capacidade de articular as forças sociais e políticas democráticas e progressistas, compreender as condições objetivas para a transformação da realidade brasileira e, no caso da questão da terra, disputar na sociedade a hegemonia por um novo modelo agrário e agrícola, no qual a agricultura camponesa e familiar tenha centralidade econômica e social no desenvolvimento sustentável do País. Não é o fim.
Osvaldo Russo, estatístico, coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT."
"Não é o fim dos movimentos sociais
A partir da década de 1990, após a derrocada do socialismo real, o capitalismo, na sua versão neoliberal, viveu o seu apogeu unipolar, com total domínio econômico, político e militar do planeta. Alguns de seus ideólogos chegaram a decretar o fim da história.
A Constituição de 1988, fortemente influenciada pelo movimento popular, consolida avanços em relação aos direitos sociais e à participação popular na gestão das políticas públicas. A consolidação de estruturas e organizações da sociedade e mesmo a institucionalização de movimentos sociais não significa necessariamente o seu fim.
As novas experiências administrativas municipais passaram a conviver com uma nova demanda social organizada para a efetivação da participação social nas políticas públicas de educação, saúde, assistência social, cultura, criança e adolescente, direitos humanos, em especial de segmentos e grupos sociais historicamente discriminados como mulheres, negros, idosos, pessoas com deficiência, LGBT, etc.
A criação de conselhos setoriais e a sua regulamentação em leis orgânicas e decretos municipais formalizaram e estruturaram o funcionamento desses conselhos, sejam eles deliberativos ou consultivos, concretizando a participação popular, em geral de forma paritária em relação à representação governamental e não governamentais. Essa institucionalização implicou em novas formas de lutas, como os fóruns da sociedade civil paralelos aos conselhos instituídos. Os movimentos sociais surgem da necessidade de encaminhar formas de lutas mais autônomas e não-formais.
O enfrentamento da ditadura exigia formas de luta mais amplas e unitárias, quase sempre não institucionalizadas em razão da natureza repressora do regime de arbítrio. A jovem democracia brasileira tem ampliado os canais de participação popular. Com a eleição de Lula e a vitória do PT era natural a convergência de posições. Nem por isso, o movimento sindical, CUT à frente, e os movimentos sociais deixam de mobilizar e estabelecer a sua própria agenda e pauta de lutas discutida na sua base, sem cooptação.
É auspiciosa a informação do IBGE de que 75% dos municípios brasileiros estão adotando alguma modalidade de participação da sociedade civil na determinação de prioridades orçamentárias na área social. O orçamento participativo tem se constituído em forma de gestão e participação social de governos do PT, mas não só dele.
O acesso aos recursos do orçamento público, antes privilégio dos setores dominantes e das grandes empresas, passou a ser disputado pelos trabalhadores organizados e os setores populares, inclusive os movimentos sociais. Os convênios são formas legítimas institucionalizadas de garantir o acesso dos “subalternos” aos recursos públicos.
A segmentação política a partir de interesses específicos de cada categoria ou segmento social já estava antes presente nos movimentos, mesmo nas suas formas não institucionalizadas de participação. As formas novas de mobilização incorporam, além das especificidades, interesses gerais da sociedade como na atual crise, quando os movimentos unificaram a luta popular para combater as formas tradicionais de enfrentamento das crises do capital (arrocho salarial, desemprego, aumento dos juros, redução dos investimentos sociais, privatizações, diminuição do Estado, etc).
A questão que se coloca é combinar o local, o nacional e o planetário, o corporativo e o geral. O que afeta a cada um e o que aflige igualmente a todos. Esses são novos desafios. Na crise política de 2005 e no 2º turno das eleições de 2006 ou mesmo na crise econômica de 2008, sem perder o juízo crítico e a autonomia, mas diante da possibilidade de volta das forças neoliberais e reacionárias, os movimentos sociais não vacilaram em escolher e defender um lado, combatendo o retrocesso.
O Estado e a sociedade civil possuem lógicas de atuação distintas. A lógica da esfera pública não é somente a da esfera estatal. Se um governo realiza parte do ideário dos movimentos sociais é natural que estes se identifiquem com ele, ainda que com contradições. A política da oposição sistemática é produto da luta ideológica contra a ditadura – não é um ideário em si. Esse papel é cumprido pelos partidos políticos, a menos que aqueles se constituam em movimentos revolucionários na luta pelo poder.
Em relação às pautas das conferências setoriais, durante o governo Lula tem havido em parte identidade de objetivos gerais como, por exemplo, na V Conferência Nacional de Assistência Social, realizada em dezembro de 2005, onde o tema central foi o SUAS (Sistema Único de Assistência Social), cuja implantação se deu em julho do mesmo ano, após grande debate nacional que envolveu mais de 300 mil pessoas em todos os municípios do país. A transformação da assistência social em política pública continuada foi assumida pelo governo Lula, mas foi produto de luta histórica das organizações dos trabalhadores e dos usuários da assistência social no Brasil.
Os dados do Censo Agropecuário 2006 são significativos para a defesa da reforma agrária. A CPI não é só contra o MST, mas para tentar intimidar o governo Lula. O MST é o principal movimento social do Brasil, mas não está sozinho. O futuro dele e da questão agrária que é secular, assim como de outras organizações populares, está associado à capacidade de articular as forças sociais e políticas democráticas e progressistas, compreender as condições objetivas para a transformação da realidade brasileira e, no caso da questão da terra, disputar na sociedade a hegemonia por um novo modelo agrário e agrícola, no qual a agricultura camponesa e familiar tenha centralidade econômica e social no desenvolvimento sustentável do País. Não é o fim.
Osvaldo Russo, estatístico, coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT."
domingo, 25 de outubro de 2009
Jornal de Ontem...
Precisamos pensar...
"Governo amplia poder nas empresas, mostra estudo
A pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Vale pode ser apenas o começo de uma fase de crescente poder do governo sobre as grandes empresas brasileiras. Um estudo recém-concluído revela os laços de dependência cada vez maiores dos principais grupos nacionais em relação ao Estado: entre as 30 maiores multinacionais brasileiras (ranking de 2008), quase todas têm empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e 20 têm participação do Estado - ou são estatais, ou têm parcelas de capital detidas pelo BNDESPar ou por fundos de pensão de estatais, fortemente influenciados pelo governo.
Incluindo-se as que têm associação indireta com o Estado - como parcerias com a Petrobras, ou que fazem parte de grupos com participação estatal em outras de suas empresas -, aquele total chega a 25 das 30 maiores multinacionais, com nomes bem conhecidos como Petrobras, Vale, Ipiranga, Usiminas, Embraer, Perdigão, Bertin e Klabin. Apenas 5 das 30 não têm no momento nenhuma associação (excluindo empréstimos) com o Estado - AmBev, TAM, Globo, Copersucar e Natura.
O estudo foi realizado por Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que vê no avanço do Estado nas principais empresas brasileiras uma clara estratégia de formação de grandes grupos para competir nos mercados globais. "Eu não sou contra esse tipo de política industrial, mas ainda há vários dilemas e contradições que precisam ser resolvidos", diz Almeida, cujo trabalho trata justamente dos problemas da atual política industrial.
Embora duas empresas - Gerdau Aços Longos e CSN - tenham participação do governo inferior a 5%, na maioria delas a parcela é superior a 10%, e em quatro é maior do que 20% (Perdigão, Bertin, Fibria e Klabin). Como o ranking é de 2008, a Perdigão, que se fundiu com a Sadia, e a Bertin (frigorífico), que se fundiu com a JBS, aparecem separadamente. Em ambos, a participação do Estado se manteve depois da fusão. Esses são exemplos de negócios que o governo ajudou a costurar e que mostram a estrutura de concentração da política industrial.
O ranking tem como critério as empresas brasileiras de maior faturamento, que tenham operação no exterior. Almeida nota que três outras empresas, que não estão entre as 30 maiores naquele critério, são normalmente citadas entre as grandes multinacionais brasileiras: Marcopolo (fabricante de ônibus), Weg (motores) e Coteminas (têxtil). As três têm empréstimos recentes do BNDES, a Coteminas tem participações de fundos de pensão e do BNDESPar, e a Marcopolo, do Centrus (fundo de pensão do Banco Central).
O estudo mostra, por outro lado, que as múltis brasileiras estão decolando no mercado global. De 2000 a 2007, o estoque de investimento direto brasileiro no resto do mundo - reflexo da atividade das multinacionais do País - aumentou de US$ 51,9 bilhões para US$ 129,8 bilhões, num avanço de US$ 77,9 bilhões. Esse salto se compara com a expansão de apenas US$ 13,4 bilhões daquele estoque durante os 20 anos de 1980 a 2000 - de US$ 38,5 bilhões para US$ 51,9 bilhões.
Mas, para tocar sua ambiciosa política industrial, o governo está fazendo uma gigantesca injeção de recursos nos bancos estatais, concentrada no BNDES. Segundo números do Banco Central, o saldo dos empréstimos do Tesouro Nacional a essas instituições saiu de zero em 2005 para R$ 145,4 bilhões em agosto de 2009. Desse total, R$ 137,5 bilhões foram para o BNDES. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo."
"Governo amplia poder nas empresas, mostra estudo
A pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Vale pode ser apenas o começo de uma fase de crescente poder do governo sobre as grandes empresas brasileiras. Um estudo recém-concluído revela os laços de dependência cada vez maiores dos principais grupos nacionais em relação ao Estado: entre as 30 maiores multinacionais brasileiras (ranking de 2008), quase todas têm empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e 20 têm participação do Estado - ou são estatais, ou têm parcelas de capital detidas pelo BNDESPar ou por fundos de pensão de estatais, fortemente influenciados pelo governo.
Incluindo-se as que têm associação indireta com o Estado - como parcerias com a Petrobras, ou que fazem parte de grupos com participação estatal em outras de suas empresas -, aquele total chega a 25 das 30 maiores multinacionais, com nomes bem conhecidos como Petrobras, Vale, Ipiranga, Usiminas, Embraer, Perdigão, Bertin e Klabin. Apenas 5 das 30 não têm no momento nenhuma associação (excluindo empréstimos) com o Estado - AmBev, TAM, Globo, Copersucar e Natura.
O estudo foi realizado por Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que vê no avanço do Estado nas principais empresas brasileiras uma clara estratégia de formação de grandes grupos para competir nos mercados globais. "Eu não sou contra esse tipo de política industrial, mas ainda há vários dilemas e contradições que precisam ser resolvidos", diz Almeida, cujo trabalho trata justamente dos problemas da atual política industrial.
Embora duas empresas - Gerdau Aços Longos e CSN - tenham participação do governo inferior a 5%, na maioria delas a parcela é superior a 10%, e em quatro é maior do que 20% (Perdigão, Bertin, Fibria e Klabin). Como o ranking é de 2008, a Perdigão, que se fundiu com a Sadia, e a Bertin (frigorífico), que se fundiu com a JBS, aparecem separadamente. Em ambos, a participação do Estado se manteve depois da fusão. Esses são exemplos de negócios que o governo ajudou a costurar e que mostram a estrutura de concentração da política industrial.
O ranking tem como critério as empresas brasileiras de maior faturamento, que tenham operação no exterior. Almeida nota que três outras empresas, que não estão entre as 30 maiores naquele critério, são normalmente citadas entre as grandes multinacionais brasileiras: Marcopolo (fabricante de ônibus), Weg (motores) e Coteminas (têxtil). As três têm empréstimos recentes do BNDES, a Coteminas tem participações de fundos de pensão e do BNDESPar, e a Marcopolo, do Centrus (fundo de pensão do Banco Central).
O estudo mostra, por outro lado, que as múltis brasileiras estão decolando no mercado global. De 2000 a 2007, o estoque de investimento direto brasileiro no resto do mundo - reflexo da atividade das multinacionais do País - aumentou de US$ 51,9 bilhões para US$ 129,8 bilhões, num avanço de US$ 77,9 bilhões. Esse salto se compara com a expansão de apenas US$ 13,4 bilhões daquele estoque durante os 20 anos de 1980 a 2000 - de US$ 38,5 bilhões para US$ 51,9 bilhões.
Mas, para tocar sua ambiciosa política industrial, o governo está fazendo uma gigantesca injeção de recursos nos bancos estatais, concentrada no BNDES. Segundo números do Banco Central, o saldo dos empréstimos do Tesouro Nacional a essas instituições saiu de zero em 2005 para R$ 145,4 bilhões em agosto de 2009. Desse total, R$ 137,5 bilhões foram para o BNDES. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo."
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