olá pessoas,
Estava meio afastado deste espaço, mas são muitas as lutas que temos que tocar, e muitas realizações fizemos acontecer, na medida do possível estes dias: encontros de formação e debate na universidade; II Feira Literária do Pium-Parnamirim-RN; Finalização das atividades 2010 do Cursinho do DCE-UFRN; Mutirão com o MDA para tirar documentação da comunidade do Amarelão em João Câmara-RN... ah, muitas irão ser concretizadas ainda este fim de semana, e outras ainda darão seus primeiros passos, como a reunião que estaremos fazendo esta semana com os amigos do MST, para que possamos realizar um grande e proveitoso Estágio Vivência com o MST, colaborando com a formação política e social de lideranças do ME.
Mas a maior felicidade que me traz aqui, são as atividades a serem realizadas este fim de semana. Apesar de não poder participar, pois estarei na organização da I Assembléia dos Povos Indígenas do RN, em conjunto com a FUNAI e o Grupo Paraupaba, organização na qual milito desde 2005, fico bastante feliz, e venho parabenizar a galera que faz a juventude do PT.
Pois no momento em que quase todos dizem não existir mais formação, que o debate na base está em processo de extinção, vocês demonstram que o partido vive, que a guinada deve ser dada, que as bases se movimentam, e que é possível acreditar na militância. E este movimento não começa do dia para a noite, por isto parabenizo todos que vem tocando e incentivando este movimento, que talvez tenha começado na gestão da secretaria de juventude representado por Eraldo, que até três anos atrás era o Secretário de Juventude do PT Estadual, e o hoje, na eleição posterior já é o Presidente Estadual do PT e VEreador em São Gonçalo, e desembocando nesta gestão, representada, pela sempre solícita, a extra-terrestre Berna Ignus! (Tudo culpa do pai dela)
Portanto, o resultado de termos três eventos de Formação e Mobilização da Juventude do PT, como o regional a ser realizado em São Tomé, com a participação de diversos representantes das cidades pertecentes ao pólo, outro em Currais Novos, com a mobilização do Vereador Jovem Odon Junior, e o terceiro que ocorrerá na praia de Santa Rita, em extremoz, mas que é fruto da mobilização da galera do PT lá de Macaíba, demonstra que o PT está vivo, quer e propõe o debate com a sociedade e com a juventude, que não deixará retroceder nenhum passo!
Assim, o desejo e a vontade da galera da juventude do PT em vê um partido quase já grisalho tirar os tênis do armário e entrar na corrida para defender os avanços já obtidos pela "nossa veralhada", sem deixar de sonhar que muito ainda se tem por conquistar, é de arrepiar qualquer alma, até as despenadas... Que venha o que nos falta!
Este fim de semana é melhor demonstração de oxigenação que poderíamos dar ao PT: Portanto, parabéns a todos e todas!
Juventude Petista, de Esquerda e Socialista!
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
2010 para avançar!
Retirado do Blog Cartas sobre a Mesa. Trouxe mais um texto interessante para ser visto e refletido. Boa leitura!
"UMA QUESTÃO DE TEMPO OU MAIS UM DESASTRE ANUNCIADO?
Não resumo a política às estratégias eleitorais. Deixo isto para alguns jornalistas. A política só não é “mono”lítica, se pautarmos o raciocínio pela boa teoria analítica, porque é síntese de múltiplas determinações. No entanto, se eu quiser ser honesto com os ensinamentos do italiano Nicolau Maquiavel, grande criador da ciência política moderna, seria interessante reconhecer - poucas candidatas apresentaram, antes de uma eleição, uma condição tão favorável para a batalha pela conquista do voto dos cidadãos norte-riograndenses como a senadora Rosalba Ciarlini.
Isto porque não é fácil reunir, de uma só vez, uma avaliação favorável, baixíssima rejeição, e, ainda de quebra, encontrar um cenário propício para a mudança das famílias que comumente figuram entre aquelas que preenchem os principais cargos do estado.
No entanto, a possibilidade de atingir o poder, como diria Platão, pode embriagar o postulante, gerando um certo tipo de “pretensão”, fazendo ruir o castelo de cartas que foi, aparentemente, meticulosamente construído.
Mesmo que o austríaco Joseph Schumpeter acredite que o aumento das elites políticas represente um alargamento democrático no âmbito do estado contemporâneo e que os cidadãos natalenses clamem, claramente, acho que por puro cansaço dos grupos políticos atualmente dominantes, por mudança, não é fácil cantar vitória muito antes do tempo.
Olho para a candidata representante da linda cidade de Mossoró e lembro-me da eleição para governador em 2006, quando, Garibaldi Alves, com uma eleição praticamente ganha, conseguiu, mesmo com toda sua experiência política, perder para Vilma de Faria. Talvez esta relação mental seja estabelecida porque, naquele momento, “o” principal candidato ao mais cobiçado posto público do RN, deitou, como a gente costuma dizer, “sobre o resultado”. A vitória era, apenas, uma “questão de tempo” – bastava só apertar algumas mãos, sorrir em alguns momentos, viajar para alguns municípios e correr para o abraço. A conquista, conseqüentemente, estaria garantida.
Enquanto o candidato comemorava o seu retorno ao governo, o ensaio sobre a cegueira estava sendo escrito. Vilma de Faria, com a sua astúcia característica, tinha lançado as suas bases sociais silenciosas. E, na medida em que conseguiu adiar a derrota da cor vermelha no primeiro turno, possibilitou, naquele momento, impor o primeiro desastre eleitoral para um candidato que se orgulhava por nunca ter perdido um pleito.
Acho pouco provável que a candidata do partido dos democratas caia em tal armadilha. E se a perspectiva delineada para a eleição governamental traçada momentaneamente não se alterar, Rosalba Ciarlini, ao sentar na cadeira de governadora do RN, deverá também agradecer a estratégia estapafúrdia capitaneada pela deputada Fátima Bezerra, que, em 2008, conseguiu enfraquecer, enormemente, o grupo político do qual faz parte, ao impor, autoritariamente, sua candidatura à prefeita do município de Natal.
No entanto, como as pesquisas, se não forem bem analisadas, costumam muito mais cegar do que ensinar o verdadeiro caminho, faz-se necessário bastante cuidado para não trocar uma vitória, que se apresenta como uma questão tempo, por mais um desastre estratégico anunciado."
"UMA QUESTÃO DE TEMPO OU MAIS UM DESASTRE ANUNCIADO?
Não resumo a política às estratégias eleitorais. Deixo isto para alguns jornalistas. A política só não é “mono”lítica, se pautarmos o raciocínio pela boa teoria analítica, porque é síntese de múltiplas determinações. No entanto, se eu quiser ser honesto com os ensinamentos do italiano Nicolau Maquiavel, grande criador da ciência política moderna, seria interessante reconhecer - poucas candidatas apresentaram, antes de uma eleição, uma condição tão favorável para a batalha pela conquista do voto dos cidadãos norte-riograndenses como a senadora Rosalba Ciarlini.
Isto porque não é fácil reunir, de uma só vez, uma avaliação favorável, baixíssima rejeição, e, ainda de quebra, encontrar um cenário propício para a mudança das famílias que comumente figuram entre aquelas que preenchem os principais cargos do estado.
No entanto, a possibilidade de atingir o poder, como diria Platão, pode embriagar o postulante, gerando um certo tipo de “pretensão”, fazendo ruir o castelo de cartas que foi, aparentemente, meticulosamente construído.
Mesmo que o austríaco Joseph Schumpeter acredite que o aumento das elites políticas represente um alargamento democrático no âmbito do estado contemporâneo e que os cidadãos natalenses clamem, claramente, acho que por puro cansaço dos grupos políticos atualmente dominantes, por mudança, não é fácil cantar vitória muito antes do tempo.
Olho para a candidata representante da linda cidade de Mossoró e lembro-me da eleição para governador em 2006, quando, Garibaldi Alves, com uma eleição praticamente ganha, conseguiu, mesmo com toda sua experiência política, perder para Vilma de Faria. Talvez esta relação mental seja estabelecida porque, naquele momento, “o” principal candidato ao mais cobiçado posto público do RN, deitou, como a gente costuma dizer, “sobre o resultado”. A vitória era, apenas, uma “questão de tempo” – bastava só apertar algumas mãos, sorrir em alguns momentos, viajar para alguns municípios e correr para o abraço. A conquista, conseqüentemente, estaria garantida.
Enquanto o candidato comemorava o seu retorno ao governo, o ensaio sobre a cegueira estava sendo escrito. Vilma de Faria, com a sua astúcia característica, tinha lançado as suas bases sociais silenciosas. E, na medida em que conseguiu adiar a derrota da cor vermelha no primeiro turno, possibilitou, naquele momento, impor o primeiro desastre eleitoral para um candidato que se orgulhava por nunca ter perdido um pleito.
Acho pouco provável que a candidata do partido dos democratas caia em tal armadilha. E se a perspectiva delineada para a eleição governamental traçada momentaneamente não se alterar, Rosalba Ciarlini, ao sentar na cadeira de governadora do RN, deverá também agradecer a estratégia estapafúrdia capitaneada pela deputada Fátima Bezerra, que, em 2008, conseguiu enfraquecer, enormemente, o grupo político do qual faz parte, ao impor, autoritariamente, sua candidatura à prefeita do município de Natal.
No entanto, como as pesquisas, se não forem bem analisadas, costumam muito mais cegar do que ensinar o verdadeiro caminho, faz-se necessário bastante cuidado para não trocar uma vitória, que se apresenta como uma questão tempo, por mais um desastre estratégico anunciado."
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Fazendo o Debate...
Continuando o debate sobre os movimentos sociais no Brasil, por seu formato e sua estrutura aparentemente "desviada", catei mais um texto interessante a ser exposto aqui, este do Osvaldo Russo, coordenador do Núcleo Agrário do PT. Boa leitura!
"Não é o fim dos movimentos sociais
A partir da década de 1990, após a derrocada do socialismo real, o capitalismo, na sua versão neoliberal, viveu o seu apogeu unipolar, com total domínio econômico, político e militar do planeta. Alguns de seus ideólogos chegaram a decretar o fim da história.
A Constituição de 1988, fortemente influenciada pelo movimento popular, consolida avanços em relação aos direitos sociais e à participação popular na gestão das políticas públicas. A consolidação de estruturas e organizações da sociedade e mesmo a institucionalização de movimentos sociais não significa necessariamente o seu fim.
As novas experiências administrativas municipais passaram a conviver com uma nova demanda social organizada para a efetivação da participação social nas políticas públicas de educação, saúde, assistência social, cultura, criança e adolescente, direitos humanos, em especial de segmentos e grupos sociais historicamente discriminados como mulheres, negros, idosos, pessoas com deficiência, LGBT, etc.
A criação de conselhos setoriais e a sua regulamentação em leis orgânicas e decretos municipais formalizaram e estruturaram o funcionamento desses conselhos, sejam eles deliberativos ou consultivos, concretizando a participação popular, em geral de forma paritária em relação à representação governamental e não governamentais. Essa institucionalização implicou em novas formas de lutas, como os fóruns da sociedade civil paralelos aos conselhos instituídos. Os movimentos sociais surgem da necessidade de encaminhar formas de lutas mais autônomas e não-formais.
O enfrentamento da ditadura exigia formas de luta mais amplas e unitárias, quase sempre não institucionalizadas em razão da natureza repressora do regime de arbítrio. A jovem democracia brasileira tem ampliado os canais de participação popular. Com a eleição de Lula e a vitória do PT era natural a convergência de posições. Nem por isso, o movimento sindical, CUT à frente, e os movimentos sociais deixam de mobilizar e estabelecer a sua própria agenda e pauta de lutas discutida na sua base, sem cooptação.
É auspiciosa a informação do IBGE de que 75% dos municípios brasileiros estão adotando alguma modalidade de participação da sociedade civil na determinação de prioridades orçamentárias na área social. O orçamento participativo tem se constituído em forma de gestão e participação social de governos do PT, mas não só dele.
O acesso aos recursos do orçamento público, antes privilégio dos setores dominantes e das grandes empresas, passou a ser disputado pelos trabalhadores organizados e os setores populares, inclusive os movimentos sociais. Os convênios são formas legítimas institucionalizadas de garantir o acesso dos “subalternos” aos recursos públicos.
A segmentação política a partir de interesses específicos de cada categoria ou segmento social já estava antes presente nos movimentos, mesmo nas suas formas não institucionalizadas de participação. As formas novas de mobilização incorporam, além das especificidades, interesses gerais da sociedade como na atual crise, quando os movimentos unificaram a luta popular para combater as formas tradicionais de enfrentamento das crises do capital (arrocho salarial, desemprego, aumento dos juros, redução dos investimentos sociais, privatizações, diminuição do Estado, etc).
A questão que se coloca é combinar o local, o nacional e o planetário, o corporativo e o geral. O que afeta a cada um e o que aflige igualmente a todos. Esses são novos desafios. Na crise política de 2005 e no 2º turno das eleições de 2006 ou mesmo na crise econômica de 2008, sem perder o juízo crítico e a autonomia, mas diante da possibilidade de volta das forças neoliberais e reacionárias, os movimentos sociais não vacilaram em escolher e defender um lado, combatendo o retrocesso.
O Estado e a sociedade civil possuem lógicas de atuação distintas. A lógica da esfera pública não é somente a da esfera estatal. Se um governo realiza parte do ideário dos movimentos sociais é natural que estes se identifiquem com ele, ainda que com contradições. A política da oposição sistemática é produto da luta ideológica contra a ditadura – não é um ideário em si. Esse papel é cumprido pelos partidos políticos, a menos que aqueles se constituam em movimentos revolucionários na luta pelo poder.
Em relação às pautas das conferências setoriais, durante o governo Lula tem havido em parte identidade de objetivos gerais como, por exemplo, na V Conferência Nacional de Assistência Social, realizada em dezembro de 2005, onde o tema central foi o SUAS (Sistema Único de Assistência Social), cuja implantação se deu em julho do mesmo ano, após grande debate nacional que envolveu mais de 300 mil pessoas em todos os municípios do país. A transformação da assistência social em política pública continuada foi assumida pelo governo Lula, mas foi produto de luta histórica das organizações dos trabalhadores e dos usuários da assistência social no Brasil.
Os dados do Censo Agropecuário 2006 são significativos para a defesa da reforma agrária. A CPI não é só contra o MST, mas para tentar intimidar o governo Lula. O MST é o principal movimento social do Brasil, mas não está sozinho. O futuro dele e da questão agrária que é secular, assim como de outras organizações populares, está associado à capacidade de articular as forças sociais e políticas democráticas e progressistas, compreender as condições objetivas para a transformação da realidade brasileira e, no caso da questão da terra, disputar na sociedade a hegemonia por um novo modelo agrário e agrícola, no qual a agricultura camponesa e familiar tenha centralidade econômica e social no desenvolvimento sustentável do País. Não é o fim.
Osvaldo Russo, estatístico, coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT."
"Não é o fim dos movimentos sociais
A partir da década de 1990, após a derrocada do socialismo real, o capitalismo, na sua versão neoliberal, viveu o seu apogeu unipolar, com total domínio econômico, político e militar do planeta. Alguns de seus ideólogos chegaram a decretar o fim da história.
A Constituição de 1988, fortemente influenciada pelo movimento popular, consolida avanços em relação aos direitos sociais e à participação popular na gestão das políticas públicas. A consolidação de estruturas e organizações da sociedade e mesmo a institucionalização de movimentos sociais não significa necessariamente o seu fim.
As novas experiências administrativas municipais passaram a conviver com uma nova demanda social organizada para a efetivação da participação social nas políticas públicas de educação, saúde, assistência social, cultura, criança e adolescente, direitos humanos, em especial de segmentos e grupos sociais historicamente discriminados como mulheres, negros, idosos, pessoas com deficiência, LGBT, etc.
A criação de conselhos setoriais e a sua regulamentação em leis orgânicas e decretos municipais formalizaram e estruturaram o funcionamento desses conselhos, sejam eles deliberativos ou consultivos, concretizando a participação popular, em geral de forma paritária em relação à representação governamental e não governamentais. Essa institucionalização implicou em novas formas de lutas, como os fóruns da sociedade civil paralelos aos conselhos instituídos. Os movimentos sociais surgem da necessidade de encaminhar formas de lutas mais autônomas e não-formais.
O enfrentamento da ditadura exigia formas de luta mais amplas e unitárias, quase sempre não institucionalizadas em razão da natureza repressora do regime de arbítrio. A jovem democracia brasileira tem ampliado os canais de participação popular. Com a eleição de Lula e a vitória do PT era natural a convergência de posições. Nem por isso, o movimento sindical, CUT à frente, e os movimentos sociais deixam de mobilizar e estabelecer a sua própria agenda e pauta de lutas discutida na sua base, sem cooptação.
É auspiciosa a informação do IBGE de que 75% dos municípios brasileiros estão adotando alguma modalidade de participação da sociedade civil na determinação de prioridades orçamentárias na área social. O orçamento participativo tem se constituído em forma de gestão e participação social de governos do PT, mas não só dele.
O acesso aos recursos do orçamento público, antes privilégio dos setores dominantes e das grandes empresas, passou a ser disputado pelos trabalhadores organizados e os setores populares, inclusive os movimentos sociais. Os convênios são formas legítimas institucionalizadas de garantir o acesso dos “subalternos” aos recursos públicos.
A segmentação política a partir de interesses específicos de cada categoria ou segmento social já estava antes presente nos movimentos, mesmo nas suas formas não institucionalizadas de participação. As formas novas de mobilização incorporam, além das especificidades, interesses gerais da sociedade como na atual crise, quando os movimentos unificaram a luta popular para combater as formas tradicionais de enfrentamento das crises do capital (arrocho salarial, desemprego, aumento dos juros, redução dos investimentos sociais, privatizações, diminuição do Estado, etc).
A questão que se coloca é combinar o local, o nacional e o planetário, o corporativo e o geral. O que afeta a cada um e o que aflige igualmente a todos. Esses são novos desafios. Na crise política de 2005 e no 2º turno das eleições de 2006 ou mesmo na crise econômica de 2008, sem perder o juízo crítico e a autonomia, mas diante da possibilidade de volta das forças neoliberais e reacionárias, os movimentos sociais não vacilaram em escolher e defender um lado, combatendo o retrocesso.
O Estado e a sociedade civil possuem lógicas de atuação distintas. A lógica da esfera pública não é somente a da esfera estatal. Se um governo realiza parte do ideário dos movimentos sociais é natural que estes se identifiquem com ele, ainda que com contradições. A política da oposição sistemática é produto da luta ideológica contra a ditadura – não é um ideário em si. Esse papel é cumprido pelos partidos políticos, a menos que aqueles se constituam em movimentos revolucionários na luta pelo poder.
Em relação às pautas das conferências setoriais, durante o governo Lula tem havido em parte identidade de objetivos gerais como, por exemplo, na V Conferência Nacional de Assistência Social, realizada em dezembro de 2005, onde o tema central foi o SUAS (Sistema Único de Assistência Social), cuja implantação se deu em julho do mesmo ano, após grande debate nacional que envolveu mais de 300 mil pessoas em todos os municípios do país. A transformação da assistência social em política pública continuada foi assumida pelo governo Lula, mas foi produto de luta histórica das organizações dos trabalhadores e dos usuários da assistência social no Brasil.
Os dados do Censo Agropecuário 2006 são significativos para a defesa da reforma agrária. A CPI não é só contra o MST, mas para tentar intimidar o governo Lula. O MST é o principal movimento social do Brasil, mas não está sozinho. O futuro dele e da questão agrária que é secular, assim como de outras organizações populares, está associado à capacidade de articular as forças sociais e políticas democráticas e progressistas, compreender as condições objetivas para a transformação da realidade brasileira e, no caso da questão da terra, disputar na sociedade a hegemonia por um novo modelo agrário e agrícola, no qual a agricultura camponesa e familiar tenha centralidade econômica e social no desenvolvimento sustentável do País. Não é o fim.
Osvaldo Russo, estatístico, coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT."
domingo, 25 de outubro de 2009
Jornal de Ontem...
Precisamos pensar...
"Governo amplia poder nas empresas, mostra estudo
A pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Vale pode ser apenas o começo de uma fase de crescente poder do governo sobre as grandes empresas brasileiras. Um estudo recém-concluído revela os laços de dependência cada vez maiores dos principais grupos nacionais em relação ao Estado: entre as 30 maiores multinacionais brasileiras (ranking de 2008), quase todas têm empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e 20 têm participação do Estado - ou são estatais, ou têm parcelas de capital detidas pelo BNDESPar ou por fundos de pensão de estatais, fortemente influenciados pelo governo.
Incluindo-se as que têm associação indireta com o Estado - como parcerias com a Petrobras, ou que fazem parte de grupos com participação estatal em outras de suas empresas -, aquele total chega a 25 das 30 maiores multinacionais, com nomes bem conhecidos como Petrobras, Vale, Ipiranga, Usiminas, Embraer, Perdigão, Bertin e Klabin. Apenas 5 das 30 não têm no momento nenhuma associação (excluindo empréstimos) com o Estado - AmBev, TAM, Globo, Copersucar e Natura.
O estudo foi realizado por Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que vê no avanço do Estado nas principais empresas brasileiras uma clara estratégia de formação de grandes grupos para competir nos mercados globais. "Eu não sou contra esse tipo de política industrial, mas ainda há vários dilemas e contradições que precisam ser resolvidos", diz Almeida, cujo trabalho trata justamente dos problemas da atual política industrial.
Embora duas empresas - Gerdau Aços Longos e CSN - tenham participação do governo inferior a 5%, na maioria delas a parcela é superior a 10%, e em quatro é maior do que 20% (Perdigão, Bertin, Fibria e Klabin). Como o ranking é de 2008, a Perdigão, que se fundiu com a Sadia, e a Bertin (frigorífico), que se fundiu com a JBS, aparecem separadamente. Em ambos, a participação do Estado se manteve depois da fusão. Esses são exemplos de negócios que o governo ajudou a costurar e que mostram a estrutura de concentração da política industrial.
O ranking tem como critério as empresas brasileiras de maior faturamento, que tenham operação no exterior. Almeida nota que três outras empresas, que não estão entre as 30 maiores naquele critério, são normalmente citadas entre as grandes multinacionais brasileiras: Marcopolo (fabricante de ônibus), Weg (motores) e Coteminas (têxtil). As três têm empréstimos recentes do BNDES, a Coteminas tem participações de fundos de pensão e do BNDESPar, e a Marcopolo, do Centrus (fundo de pensão do Banco Central).
O estudo mostra, por outro lado, que as múltis brasileiras estão decolando no mercado global. De 2000 a 2007, o estoque de investimento direto brasileiro no resto do mundo - reflexo da atividade das multinacionais do País - aumentou de US$ 51,9 bilhões para US$ 129,8 bilhões, num avanço de US$ 77,9 bilhões. Esse salto se compara com a expansão de apenas US$ 13,4 bilhões daquele estoque durante os 20 anos de 1980 a 2000 - de US$ 38,5 bilhões para US$ 51,9 bilhões.
Mas, para tocar sua ambiciosa política industrial, o governo está fazendo uma gigantesca injeção de recursos nos bancos estatais, concentrada no BNDES. Segundo números do Banco Central, o saldo dos empréstimos do Tesouro Nacional a essas instituições saiu de zero em 2005 para R$ 145,4 bilhões em agosto de 2009. Desse total, R$ 137,5 bilhões foram para o BNDES. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo."
"Governo amplia poder nas empresas, mostra estudo
A pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Vale pode ser apenas o começo de uma fase de crescente poder do governo sobre as grandes empresas brasileiras. Um estudo recém-concluído revela os laços de dependência cada vez maiores dos principais grupos nacionais em relação ao Estado: entre as 30 maiores multinacionais brasileiras (ranking de 2008), quase todas têm empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e 20 têm participação do Estado - ou são estatais, ou têm parcelas de capital detidas pelo BNDESPar ou por fundos de pensão de estatais, fortemente influenciados pelo governo.
Incluindo-se as que têm associação indireta com o Estado - como parcerias com a Petrobras, ou que fazem parte de grupos com participação estatal em outras de suas empresas -, aquele total chega a 25 das 30 maiores multinacionais, com nomes bem conhecidos como Petrobras, Vale, Ipiranga, Usiminas, Embraer, Perdigão, Bertin e Klabin. Apenas 5 das 30 não têm no momento nenhuma associação (excluindo empréstimos) com o Estado - AmBev, TAM, Globo, Copersucar e Natura.
O estudo foi realizado por Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que vê no avanço do Estado nas principais empresas brasileiras uma clara estratégia de formação de grandes grupos para competir nos mercados globais. "Eu não sou contra esse tipo de política industrial, mas ainda há vários dilemas e contradições que precisam ser resolvidos", diz Almeida, cujo trabalho trata justamente dos problemas da atual política industrial.
Embora duas empresas - Gerdau Aços Longos e CSN - tenham participação do governo inferior a 5%, na maioria delas a parcela é superior a 10%, e em quatro é maior do que 20% (Perdigão, Bertin, Fibria e Klabin). Como o ranking é de 2008, a Perdigão, que se fundiu com a Sadia, e a Bertin (frigorífico), que se fundiu com a JBS, aparecem separadamente. Em ambos, a participação do Estado se manteve depois da fusão. Esses são exemplos de negócios que o governo ajudou a costurar e que mostram a estrutura de concentração da política industrial.
O ranking tem como critério as empresas brasileiras de maior faturamento, que tenham operação no exterior. Almeida nota que três outras empresas, que não estão entre as 30 maiores naquele critério, são normalmente citadas entre as grandes multinacionais brasileiras: Marcopolo (fabricante de ônibus), Weg (motores) e Coteminas (têxtil). As três têm empréstimos recentes do BNDES, a Coteminas tem participações de fundos de pensão e do BNDESPar, e a Marcopolo, do Centrus (fundo de pensão do Banco Central).
O estudo mostra, por outro lado, que as múltis brasileiras estão decolando no mercado global. De 2000 a 2007, o estoque de investimento direto brasileiro no resto do mundo - reflexo da atividade das multinacionais do País - aumentou de US$ 51,9 bilhões para US$ 129,8 bilhões, num avanço de US$ 77,9 bilhões. Esse salto se compara com a expansão de apenas US$ 13,4 bilhões daquele estoque durante os 20 anos de 1980 a 2000 - de US$ 38,5 bilhões para US$ 51,9 bilhões.
Mas, para tocar sua ambiciosa política industrial, o governo está fazendo uma gigantesca injeção de recursos nos bancos estatais, concentrada no BNDES. Segundo números do Banco Central, o saldo dos empréstimos do Tesouro Nacional a essas instituições saiu de zero em 2005 para R$ 145,4 bilhões em agosto de 2009. Desse total, R$ 137,5 bilhões foram para o BNDES. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo."
Manifesto de Intelectuais!
Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais22 de outubro de 2009
As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo.
Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.
Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.
Bloquear a reforma agrária
Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola – cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 – e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário desloca-se dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária.
Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira.
O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais como única alternativa para a agropecuária brasileira.
Concentração fundiária
A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio.
Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no primeiro semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano.
Não violência
A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.
É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira.
Contra a criminalização das lutas sociais
Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.
As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo.
Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.
Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.
Bloquear a reforma agrária
Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola – cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 – e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário desloca-se dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária.
Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira.
O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais como única alternativa para a agropecuária brasileira.
Concentração fundiária
A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio.
Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no primeiro semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano.
Não violência
A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.
É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira.
Contra a criminalização das lutas sociais
Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.
Fazendo o debate...
lá no blog do Rudá catei mais este texto, só que do Osmar Braga, continuando o debate que começamos, dè um sacada:
"Osmar Braga disse...
Caro Rudá
É muito instigante sua análise. Ela faz sentido, tendo em vista as mudanças que ocorreram nos anos 90, quando a elite, com a força e ideologia neoliberal, dá as cartas do jogo político no Brasil, estabelecendo uma institucionalidade política que produz uma nova configuração nas relações entre as classes e os grupos sociais que atuam na sociedade. O advento da questão da cidadania (neoliberral), com seus mecanismos institucionais, alteraram de forma significativa a relação entre estado e movimentos sociais,pautada agora pela lógica institucional. Isso ocorre paralelo à queda dos referenciais filosóficos e políticos que sempre orientaram o ideário transformador dos movimentos sociais. Esse processo impactou os movimentos sociais e as organizações populares de maneira geral, modificando as formas, as bandeiras e os conteúdos da luta social. Numa sociedade em que o estado não é mais caracterizado como ditador, autoritário, violento; onde há espaço para o diálogo, mesmo que isso não dê em nada, as relações sociais são pautadas por uma dinâmica mais formal, orientada por mecanismos legais e institucionais, colocando novos desafios na relação estado e sociedade organizada. Outro fator é que, após a conquista do governo pelas forças ditas populares, com Lula na presidência, consolidou uma relação fundada na luta institucional,via os mecanismos que o estado neoliberal criou, neutralizando fortemente outras formas e bandeiras de luta, pois ela trouxe a despolitização da questão social. Porém, não podemos dizer que todo o movimento social está preso à dinâmica e aos ditames neoliberais. Há, na minha opinião, um movimento de retomada do ideário ttransformador, onde se resgata a atualidade do projeto novo de sociedade, com formas novas de luta e novas organizações, que fogem dos modelos da década de 80.O movimento Assmbléia Popular~,do qual fazem parte dezenas de entidades popualres, movimentos, ONGs proressistas, não seria um exemplo disso? O que falta é essas formas e movimentos ganharem força e redescobrirem os valores e as bandeiras que as une e sustenta frente aos novos desafios políticos e sociais."
"Osmar Braga disse...
Caro Rudá
É muito instigante sua análise. Ela faz sentido, tendo em vista as mudanças que ocorreram nos anos 90, quando a elite, com a força e ideologia neoliberal, dá as cartas do jogo político no Brasil, estabelecendo uma institucionalidade política que produz uma nova configuração nas relações entre as classes e os grupos sociais que atuam na sociedade. O advento da questão da cidadania (neoliberral), com seus mecanismos institucionais, alteraram de forma significativa a relação entre estado e movimentos sociais,pautada agora pela lógica institucional. Isso ocorre paralelo à queda dos referenciais filosóficos e políticos que sempre orientaram o ideário transformador dos movimentos sociais. Esse processo impactou os movimentos sociais e as organizações populares de maneira geral, modificando as formas, as bandeiras e os conteúdos da luta social. Numa sociedade em que o estado não é mais caracterizado como ditador, autoritário, violento; onde há espaço para o diálogo, mesmo que isso não dê em nada, as relações sociais são pautadas por uma dinâmica mais formal, orientada por mecanismos legais e institucionais, colocando novos desafios na relação estado e sociedade organizada. Outro fator é que, após a conquista do governo pelas forças ditas populares, com Lula na presidência, consolidou uma relação fundada na luta institucional,via os mecanismos que o estado neoliberal criou, neutralizando fortemente outras formas e bandeiras de luta, pois ela trouxe a despolitização da questão social. Porém, não podemos dizer que todo o movimento social está preso à dinâmica e aos ditames neoliberais. Há, na minha opinião, um movimento de retomada do ideário ttransformador, onde se resgata a atualidade do projeto novo de sociedade, com formas novas de luta e novas organizações, que fogem dos modelos da década de 80.O movimento Assmbléia Popular~,do qual fazem parte dezenas de entidades popualres, movimentos, ONGs proressistas, não seria um exemplo disso? O que falta é essas formas e movimentos ganharem força e redescobrirem os valores e as bandeiras que as une e sustenta frente aos novos desafios políticos e sociais."
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Fazendo o Debate...
A partir do texto postado anteriormente levantei alguns questionamentos ao Prof Rudá Ricci - o autor do texto -, que me trouxe resposta interessante e que nos guia ao bom debate. Posto meus questionamento e sua resposta retirada do seu blog!
"Olá prof. Rudá,
O MST está se isolando, e se está ele faz bem em se isolar? Quais são os mecanismos e percursos que demonstram este isolacionismo?
Os espaços construído ao longo dos anos no Estado, mas, principalmente, no governo Lula, não deveriam ser ocupados? Mas pensando para além do Estado, qual seria o papel dos movimentos sociais quando sua pauta coaduna com a pauta da governo?
O que significaria o fim da era dos movimentos sociais? Existe espaço ideal para sua ação? Qual seria esta arena?
Agradecido pelo texto!
abraços professor!"
a resposta do Professor:
"Agradeço os dois comentários e tento responder em conjunto:
a) o papel das ongs, neste momento, é de construir uma rede de formação para o controle social;
b) a sociedade civil deve ocupar os espaços do Estado, mas com o objetivo de reformatá-lo, à luz de seu ideário de transparência e controle social. O que vemos é uma mera ocupação de espaço a partir da lógica de Estado burocrático, de tradição lusitana (personalismo + especialização temática), sem foco no ser humano, mas nas rotinas específicas. Lembremos: a experiência da sociedade civil é de rede, não de hierarquias funcionais;
c)o MST não está se isolando porque quer. Mas é fato que se isola porque as outras forças perderam a combatividade e a inovação;
d) o isolamento é demonstrado pela ofensiva da esquerda, do governo Lula e até jornalistas de esquerda (ver algumas notas neste meu blog);
e) a pauta dos movimentos sociais deveria ser a da reforma democrática do Estado. Por exemplo: fim do Senado (instalação da estrutura unicameral); implantação da lei de responsabilidade social e responsabilização de governantes que não melhorarem indicadores sociais; voto distrital misto e implantação do recall; instalação de conselhos de direitos no interior do parlamento; oficialização e exigência do orçamento participativo em todo ciclo orçamentário público; criação de ampla rede de escolas da cidadania para formação técnica de gestores sociais; implantação de observatórios sociais (como o existente em Maringá); implantação da educação fiscal em toda rede de ensino público; implantação de gestão participativa em rede; adoção de mecanismos de controle sobre a execução orçamentária com participação da sociedade civil.
São algumas possibilidades."
"Olá prof. Rudá,
O MST está se isolando, e se está ele faz bem em se isolar? Quais são os mecanismos e percursos que demonstram este isolacionismo?
Os espaços construído ao longo dos anos no Estado, mas, principalmente, no governo Lula, não deveriam ser ocupados? Mas pensando para além do Estado, qual seria o papel dos movimentos sociais quando sua pauta coaduna com a pauta da governo?
O que significaria o fim da era dos movimentos sociais? Existe espaço ideal para sua ação? Qual seria esta arena?
Agradecido pelo texto!
abraços professor!"
a resposta do Professor:
"Agradeço os dois comentários e tento responder em conjunto:
a) o papel das ongs, neste momento, é de construir uma rede de formação para o controle social;
b) a sociedade civil deve ocupar os espaços do Estado, mas com o objetivo de reformatá-lo, à luz de seu ideário de transparência e controle social. O que vemos é uma mera ocupação de espaço a partir da lógica de Estado burocrático, de tradição lusitana (personalismo + especialização temática), sem foco no ser humano, mas nas rotinas específicas. Lembremos: a experiência da sociedade civil é de rede, não de hierarquias funcionais;
c)o MST não está se isolando porque quer. Mas é fato que se isola porque as outras forças perderam a combatividade e a inovação;
d) o isolamento é demonstrado pela ofensiva da esquerda, do governo Lula e até jornalistas de esquerda (ver algumas notas neste meu blog);
e) a pauta dos movimentos sociais deveria ser a da reforma democrática do Estado. Por exemplo: fim do Senado (instalação da estrutura unicameral); implantação da lei de responsabilidade social e responsabilização de governantes que não melhorarem indicadores sociais; voto distrital misto e implantação do recall; instalação de conselhos de direitos no interior do parlamento; oficialização e exigência do orçamento participativo em todo ciclo orçamentário público; criação de ampla rede de escolas da cidadania para formação técnica de gestores sociais; implantação de observatórios sociais (como o existente em Maringá); implantação da educação fiscal em toda rede de ensino público; implantação de gestão participativa em rede; adoção de mecanismos de controle sobre a execução orçamentária com participação da sociedade civil.
São algumas possibilidades."
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